A gestão do ex-prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) manteve por cinco anos o vínculo da Prefeitura de Cuiabá com o Banco Master, desde a contratação da instituição, em 2020.
O banqueiro Daniel Vorcaro está preso e suas relações com poderosos, como o ministro Alexandre Moraes, do STF, investigadas pela Polícia Federal, estão causando mais um escândalo no país.
Documentos analisados pelo MidiaNews apontam que, somente entre outubro de 2023 e julho de 2025, R$ 4,18 milhões foram descontados da folha dos servidores de Cuiabá em operações registradas na rubrica de cartão de crédito do Banco Master.
O último aditivo foi assinado pela antiga gestão em julho de 2024 e estendeu o credenciamento até 8 de setembro de 2025. A gestão do prefeito Abilio Brunini (PL) não renovou o vínculo quando o prazo terminou.
O encerramento ocorreu pouco mais de dois meses antes de o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master, em novembro de 2025.
O credenciamento original foi firmado em setembro de 2020 com o Banco Máxima, nome utilizado anteriormente pelo Master. O contrato previa empréstimos e financiamentos com desconto em folha para servidores municipais.
A relação foi prorrogada sucessivamente. Em 2022, o prazo máximo de amortização passou de 96 meses para 120 meses. No ano seguinte, o cartão de crédito consignado foi incluído expressamente no acordo.
Os descontos registrados cresceram ao longo do período. Em outubro de 2023, somaram R$ 13,2 mil. Em dezembro de 2024, chegaram a R$ 269,8 mil.
O valor de R$ 4,18 milhões representa apenas a soma dos lançamentos da rubrica de cartão de crédito e não o total de crédito concedido pelo banco.
A documentação não indica que Emanuel tenha assinado pessoalmente o contrato. Ele aparece como prefeito e representante do Município no instrumento de 2020, enquanto a assinatura foi feita pela então secretária de Gestão, Ozenira Félix Soares de Souza. Os aditivos posteriores foram assinados por secretários da Pasta.
A relação com o Master ocorreu ainda em meio ao passivo dos consignados deixado pela administração anterior. Segundo a Prefeitura, descontos feitos nos salários dos servidores nos últimos meses da gestão passada não foram integralmente repassados às instituições financeiras, gerando uma dívida de R$ 52 milhões com 17 bancos e cooperativas.
