Candidato não apresenta plano para ampliar quadro de médicos efetivos e afirma que Estado deve priorizar contratação e gestão de contratos
A interdição ética da UTI Pediátrica e Neonatal do Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Várzea Grande, determinada pelo Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) por falta de médicos, expõe um dos principais desafios da saúde pública no Estado justamente no momento em que o candidato à reeleição Otaviano Pivetta (Republicanos) defende a ampliação da contratação de serviços e não apresenta previsão concreta para novos concursos. O CRM proibiu a entrada de novos pacientes na unidade após fiscalização constatar insuficiência de profissionais nesta quarta-feira (23).
Durante a sabatina promovida pelo próprio CRM-MT ontem, Pivetta foi questionado sobre a realização de concurso para médicos. Na resposta, afirmou que o Estado deve priorizar a administração de contratos. “Eu acho que cabe ao Estado, cada vez mais, administrar contratos. O Estado tem que cumprir a sua função, fazendo bons contratos e administrando contratos”, declarou. Em outro momento, afirmou: “Se necessário, haverá concurso público. Nós vamos, ao longo do tempo, analisando a situação. Nesse momento, nós estamos contratualizando”.
A resposta ganha peso diante da situação registrada em Várzea Grande hoje. Segundo o CRM-MT, a fiscalização encontrou problemas relacionados à escala médica e determinou a interdição ética parcial da UTI Pediátrica e Neonatal. A prefeitura informou que regularizou a escala de setembro e busca contratar mais três médicos, mas a unidade continua impedida de receber novos pacientes até que as condições exigidas sejam comprovadas.
A falta de profissionais também se conecta ao debate sobre o acesso ao SUS em Mato Grosso. Na mesma sabatina, Pivetta afirmou que o tempo médio de espera teria caído de cerca de 90 para 21 dias, como se fosse uma notícia a ser comemorada. Mas a declaração, na verdade, não detalhou quantos pacientes compõem a fila nem quais procedimentos estão incluídos nesse cálculo. O sistema estadual de Regulação é responsável por organizar o acesso a consultas, exames e procedimentos e mantém informações atualizadas sobre a demanda.
O episódio coloca em discussão a capacidade do modelo de contratação adotado pelo Estado de garantir médicos disponíveis de forma permanente, especialmente em serviços de alta complexidade. Enquanto uma UTI é impedida de receber novos pacientes por falta de médicos, a proposta apresentada por Pivetta é ampliar a contratualização e avaliar concursos apenas “se necessário”.