Rede de abastecimento obriga viaturas a percorrer longas distâncias; policiais relatam que impasses em contratos de manutenção deixam veículos quebrados e unidades sem viatura

 

Uma viatura policial sediada em Novo Santo Antônio que precise abastecer em Bom Jesus do Araguaia pode percorrer cerca de 153 quilômetros entre ida e volta. Em Boa Esperança do Norte, o trajeto até Nova Ubiratã e o retorno somam aproximadamente 147 quilômetros. São deslocamentos feitos para buscar combustível, que podem retirar a equipe de sua área de atuação antes mesmo de qualquer chamado policial. As distâncias são estimativas de trajeto entre as sedes municipais; o percurso efetivo depende da localização da unidade e do posto utilizado. 

 

A relação de postos credenciados emitida pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) em 25 de setembro não apresenta estabelecimentos em todos os municípios de Mato Grosso. Ela também não informa quais postos oferecem diesel S10. Por isso, a distância até uma cidade com posto na lista pode não ser suficiente para indicar onde uma viatura a diesel consegue abastecer.

 

A situação de Espigão do Leste, comunidade de São Félix do Araguaia, exige uma resposta específica. A localidade não aparece na relação de postos, e uma estimativa de rota aponta cerca de 197 quilômetros por estrada até a sede municipal. É necessário esclarecer onde as viaturas que atendem a região abastecem e quanto precisam percorrer para isso. 

 

O abastecimento se soma a relatos recebidos de policiais sobre viaturas que aguardariam conserto por longos períodos, dificuldades para realizar manutenção preventiva e unidades que estariam recorrendo a motocicletas para manter o serviço. 

 

Segundo esses relatos, a falta de veículos também estaria prejudicando o patrulhamento rural em alguns municípios. As situações precisam ser apuradas junto ao governo, com a identificação das unidades afetadas e dos veículos fora de operação.

 

Há ainda relatos de que veículos destinados à Patrulha Maria da Penha teriam sido entregues com a identificação visual do programa, mas sem equipamentos operacionais como rádio e sinalização luminosa. Se confirmada, a ausência desses itens compromete as condições de trabalho das equipes e exige providências, especialmente em um serviço voltado à proteção de mulheres em situação de violência.

 

Para quem espera a chegada da polícia, pouco importa o anúncio de uma nova viatura se a que deveria atender à ocorrência está parada à espera de conserto ou precisa sair da cidade para abastecer. O governo do Estado precisa mostrar quantos veículos estão em operação, resolver os entraves de manutenção e garantir uma rede de abastecimento compatível com o tamanho de Mato Grosso. É nas ruas, e não nas entregas oficiais, que a população pode medir o resultado do “fazimento”.

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