Aliados de Flávio Bolsonaro foram avisados de que ele está em voo rumo aos Estados Unidos. O entorno do senador não sabe ainda, porém, qual foi o meio de locomoção usado por ele para sair do país.
Uma fonte dos EUA próxima à administração Trump e à família Bolsonaro afirmou hoje ao UOL que está "ciente da partida" de Flávio em direção aos EUA, mas não confirmou se o senador já chegou ou não ao país nem se a rota passaria pela Argentina. Oficialmente questionado, o Departamento de Estado não se manifestou.
Mais cedo, ao UOL, Eduardo Bolsonaro disse que seria "mentira". "Sim. Foi o Elon Musk que mandou o foguete", ironizou.
Uma fonte em Brasília afirmou que uma das filhas de Flávio se despediu de duas colegas ainda ontem, e disse que ia para "os EUA".
Em meio aos rumores de que Flávio teria deixado o país, a Polícia Federal cancelou hoje os passaportes comum e diplomático do senador. Ele não entregou os documentos no prazo de 24 horas, após ter sido intimado ontem (27) por volta das 11h, como determinou o ministro do STF Alexandre de Moraes. A PF vai oficiar Moraes sobre o não cumprimento da decisão judicial para a entrega dos passaportes.
A fuga de Flávio foi noticiada primeiro pelo Infobae, um site de notícias da Argentina. A reportagem apontou que o candidato derrotado cruzou a fronteira para a Argentina e iria embarcar em Puerto Iguazú, na província de Misiones. A decolagem estava prevista para as 2h de hoje, em um Gulfstream G400.
Flávio teria atravessado a fronteira usando o documento nacional de identidade. O avião citado na reportagem é um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, atribuído à empresa Baires Fly S.A. Ainda segundo o Infobae, a companhia pediu os trâmites de Aduana e Migrações para quatro passageiros e três tripulantes. Esta aeronave continua parada em Puerto Iguazú.
'Nunca pensei em deixar o país'
Em vídeo publicado nas redes sociais ontem, Flávio disse que nunca pensou em sair do país.
"Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar", disse.
Segundo ele, a decisão de Moraes, que está sob sigilo, cita uma declaração de seu irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que sugeriu que Flávio saísse do país caso perdesse a eleição.
Investigações
Flávio é investigado em dois inquéritos criminais no STF. Como senador, ele tem foro especial até fevereiro. Se tivesse sido eleito presidente, o prazo seria estendido por mais quatro anos, durante todo o mandato à frente do Executivo federal.
Um dos inquéritos se refere ao pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. O valor seria usado para financiar o filme "Dark Horse", sobre a trajetória do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Flávio e Vorcaro são investigados por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Como revelado pelo The Intercept Brasil, o senador negociou o repasse de pelo menos US$ 24 milhões com o ex-banqueiro para a produção do filme. O dinheiro foi transferido para um fundo nos Estados Unidos ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Flávio nega irregularidades e afirma que a cinebiografia só tem dinheiro privado obtido legalmente.
O outro inquérito trata da relação do senador com seu amigo Willer Tomaz. O advogado teve o celular apreendido na investigação sobre fraudes no INSS e a análise do aparelho mostrou movimentações financeiras suspeitas. Foi nesse inquérito que Moraes ordenou a entrega do passaporte.
Como revelou o UOL, emails obtidos pela PF indicam que Willer Tomaz dividia uma conta no banco Santander com Flávio Bolsonaro. Em uma das mensagens, o senador é apontado como "usuário master", credencial que, na prática, permite que mais de uma pessoa ou empresa administre a conta e movimente valores de forma conjunta. Em nota oficial, ambos negaram que dividiram a conta.
Willer detém a maioria das ações da companhia portuguesa Cathedral Holdings, única acionista da Rede Loto, a empresa que controla a casa de apostas BestBet. Uma reportagem da revista Piauí revelou que Flávio foi sócio oculto dessa bet.