Herdeiros questionam na Justiça negociação de propriedade rural em Pontal do Araguaia, alegam falsificação de assinaturas e cobram valores milionários; caso ainda não foi julgado e não há condenação dos envolvidos.

Uma disputa judicial envolvendo a venda da Fazenda Camila, propriedade rural de aproximadamente 5,8 mil hectares localizada em Pontal do Araguaia, em Mato Grosso, está sendo analisada pela Justiça. A família Spinola Cunha, de São Paulo, acusa o empresário Matheus Furia Buzetti e a empresa Trust Agro Company Holding de participação em uma negociação supostamente irregular, que teria envolvido uma procuração com assinaturas contestadas pelos proprietários.

O caso envolve transações milionárias, suspeitas de falsificação documental e questionamentos sobre a transferência da propriedade. As acusações ainda não foram julgadas definitivamente, e não existe, nas informações apresentadas, condenação dos envolvidos pelos fatos narrados.

A família ingressou com ações na 6ª Vara Cível de São José do Rio Preto (SP) e na 8ª Vara Federal Cível de Mato Grosso, buscando reverter a negociação e obter reparação pelos prejuízos alegados.

Negociação começou com contrato de R$ 15 milhões

Conforme os documentos descritos nas ações, em outubro de 2020 os herdeiros firmaram um compromisso de venda de metade da Fazenda Camila à empresa de Matheus Buzetti, então denominada M2W Properties, pelo valor de R$ 15 milhões.

A família sustenta que o pagamento não foi realizado integralmente.

Cinco meses depois, a empresa teria firmado outro compromisso, desta vez para negociar a totalidade da propriedade com um casal de Barra do Garças, pelo valor de R$ 35,5 milhões.

O principal questionamento dos herdeiros está relacionado à escritura lavrada em maio de 2021, que teria utilizado uma procuração supostamente assinada pelos quatro integrantes da família em um cartório de Minas Gerais.

Os proprietários negam ter assinado o documento. Um laudo grafotécnico particular contratado pela família apontou que as assinaturas não seriam autênticas. A conclusão, entretanto, integra as alegações apresentadas pelos autores e não representa, por si só, uma decisão judicial definitiva sobre a autenticidade do documento.

Família afirma ter descoberto venda somente em 2025

Segundo os herdeiros, a transferência da propriedade só foi descoberta em abril de 2025, quando registraram boletim de ocorrência.

O caso passou a ser investigado na esfera criminal, enquanto os proprietários também recorreram à Justiça para contestar a validade da negociação.

Ainda conforme as informações apresentadas, houve determinação judicial de indisponibilidade das matrículas da fazenda, medida destinada a restringir novas operações envolvendo o imóvel durante a apuração.

Acordo de R$ 41 milhões também é questionado

Após a descoberta da negociação, a Trust Agro Company Holding teria reconhecido, em escritura pública de julho de 2025, uma dívida de R$ 41 milhões com a família, oferecendo três fazendas localizadas em Comodoro (MT) como garantia.

Os herdeiros alegam que nenhuma parcela foi paga e que os imóveis apresentados como garantia acabaram posteriormente transferidos a terceiros.

O advogado Fernando Jacob Netto, representante da família, sustenta que essas movimentações reforçam as suspeitas levantadas pelos proprietários.

As circunstâncias das transferências e a responsabilidade dos envolvidos ainda dependem de análise judicial.

Justiça determina medida para impedir nova venda

Na ação que tramita em São José do Rio Preto, a família solicita a rescisão do contrato firmado em 2020, a extinção dos direitos da empresa sobre a propriedade, indenização e medidas de bloqueio patrimonial.

Já na Justiça Federal, os herdeiros buscam a anulação da venda e de hipotecas registradas sobre o imóvel em favor de instituições financeiras.

Em decisão de 19 de outubro de 2026, o juiz Sergio Martins Barbatto Junior, da 6ª Vara Cível de Rio Preto, determinou o arresto das matrículas da Fazenda Camila, como medida cautelar para evitar novas negociações, além da citação dos réus.

A determinação tem caráter preventivo e não significa que a Justiça tenha reconhecido definitivamente a ocorrência de fraude ou a responsabilidade dos acusados.

Caso aguarda manifestação dos envolvidos

De acordo com as informações fornecidas, Matheus Furia Buzetti e a Trust Agro Company Holding ainda não haviam apresentado defesa nas ações mencionadas.

Os processos seguem em tramitação, e caberá à Justiça avaliar os documentos, as provas e os argumentos das partes antes de decidir sobre a validade das transações e eventuais responsabilidades.

O espaço permanece aberto para manifestações do empresário, da empresa e dos demais envolvidos citados.

Processos mencionados:

  • Justiça Estadual de São Paulo: 4038836-84.2026.8.26.0576.

  • Justiça Federal de Mato Grosso: 1043019-30.2026.4.01.3600.

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